"O
INTERIOR CRIA O EXTERIOR DE ACORDO COM SUA LIMITAÇÃO; E O EXTERNO ENTÃO
CONTROLA E MOLDA O INTERNO
"A sociedade não pode ser mudada a menos que o homem mude. O homem, você e os outros criaram essas sociedades por gerações e gerações; todos nós criamos essas sociedades a partir da nossa mesquinhez, estreiteza, da nossa limitação, da nossa ganância, inveja, brutalidade, violência, competição etc. Somos responsáveis pela mediocridade, pela estupidez, pela vulgaridade, por todo o absurdo tribal e o sectarismo religioso. A menos que cada um de nós mude radicalmente, a sociedade nunca mudará. Ela está aí, nós a formamos e então ela nos forma. Ela nos molda, como nós a moldamos. Ela nos coloca em um molde e o molde o coloca em uma estrutura que é a sociedade.
"Assim,
essa ação continua interminavelmente, como o mar com uma maré que vai longe e
depois vem, às vezes muito, muito lentamente, outras vezes rapidamente,
perigosamente. Dentro e fora; ação, reação, ação. Essa parece ser a natureza
desse movimento, a menos que haja ordem profunda em si mesmo. Essa própria
ordem trará ordem à sociedade, não por meio da legislação, governos e esse
negócio todo – embora enquanto houver desordem, confusão, a lei, a autoridade
que é criada por nossa desordem continuará existindo. A lei é a criação do
homem, assim como a sociedade – o produto do homem é a lei.
"Assim, o
interior, a psique, cria o exterior de acordo com sua limitação; e o externo
então controla e molda o interno. Os comunistas pensaram, e provavelmente ainda
pensam, que controlando o exterior, produzindo certas leis, regulamentos,
instituições, certas formas de tirania, eles podem mudar o homem. Mas até agora
eles não tiveram sucesso, e eles nunca terão sucesso. Esta também é a atividade
dos socialistas. Os capitalistas fazem isso de uma maneira diferente, mas é a
mesma coisa. O interno sempre supera o externo, pois o interno é muito mais
forte, muito mais vital do que o externo.
"Este
movimento pode alguma vez parar – o interior criando, psicologicamente, o
ambiente externo, e o externo, a lei, as instituições, as organizações,
tentando moldar o homem, o cérebro, para agir de uma determinada maneira, e o
cérebro, o interior, a psique, então mudando, contornando o exterior? Este
movimento vem acontecendo desde que o homem está nesta terra, de maneira
grosseira, superficial, às vezes brilhantemente - é sempre o interior superando
o exterior, como o mar com suas marés subindo e descendo. Deve-se realmente
perguntar se este movimento pode alguma vez parar - ação e reação, ódio e mais
ódio, violência e mais violência. Isto tem um fim quando há apenas observação,
sem motivo, sem resposta, sem direção. A direção surge quando há acumulação.
Mas o observar, no qual existe atenção, percepção e um grande senso de
compaixão, tem sua própria inteligência. Este observar e a inteligência agem. E
essa ação não é fluxo e refluxo. Mas isso requer grande vigilância, ver as
coisas sem a palavra, sem o nome, sem qualquer reação; nesse observar há grande
vitalidade, paixão.”
— Jiddu
Krishnamurti