12/11/2013

UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL

(Escrito em agosto de 2008.)

Acreditem ou não, mas as coisas estão mudando no Brasil, para melhor. Não estou me referindo às ações do Ministério Público e da Polícia Federal. Nem ao fato de o STF ter proibido a contratação de parentes no Executivo, no Legislativo e no Judiciário, apesar de essa proibição por si só merecer um artigo à parte.
            Hoje, gostaria de lhes falar sobre algo muito importante que está ocorrendo em nossa cidade – algo inédito, que poderá trazer profundas mudanças na vida dos muriaeenses, especialmente na vida dos católicos. Estou me referindo aos artigos escritos pelo Padre Paulo Roberto Gomes e a comentários que tenho ouvido a respeito de suas pregações.

Não sei se os muriaeenses, principalmente a comunidade católica, têm analisado conscientemente suas palavras. Creio que não, pois a maioria das pessoas nunca se dedicou a estudar seriamente os ensinamentos de Jesus. Nascem e morrem embriagadas com as coisas deste mundo, vivendo uma espiritualidade inconsciente e repetitiva, suportada por conhecimentos elementares adquiridos na infância.
As afirmações do Padre Paulo Roberto são fortes. Ouso afirmar que se trata de alimento muito sólido para uma população que ainda está precisando de leite. Na verdade, destinam-se a pessoas adultas que buscam conhecer, com lógica e razão, os ensinamentos de Jesus. São afirmações que podem mudar radicalmente a vida das pessoas.
Minha vida mudou depois que, pesquisando o Novo Testamento e estudiosos do assunto, ampliei – ou melhor, adquiri algum conhecimento sobre o que entendo hoje por uma verdadeira espiritualidade. Até aos 55 anos, eu era, espiritualmente falando, analfabeto, como a quase totalidade das pessoas. Pautava minha vida por um misticismo infantil e uma fé cega e rudimentar.
Estudando sozinho, levei muito tempo para chegar às conclusões que o Padre Paulo Roberto está transmitindo à comunidade muriaeense. Devo reconhecer que não foi totalmente sozinho, fui sobremaneira auxiliado pela paciência e questionamentos dos residentes da El-Shaday.
Na El-Shaday, eu tinha, e tenho, o desafio de provar a mim mesmo e a pessoas inteligentes, que viveram em estados alterados de consciência por vários anos, que existe um Deus vivo – e não um Deus antropomórfico, que gerencia o universo e castiga ou premia as pessoas, conforme me foi ensinado na década de 50.
O desafio de demonstrar-lhes a verdade do Salmo 82,6 – “Eu disse: Vós sois deuses, sois todos filhos do Altíssimo.” – e de lhes transmitir, da melhor forma possível, o que penso fazer sentido e ser verdadeiro nos ensinamentos de Jesus Cristo.
Agradeço ao Padre Paulo Roberto por, indiretamente, estar nos auxiliando na recuperação de alcoólatras e toxicômanos. Eu explico: minha conversa com os residentes certamente produz melhores resultados se estiver em sintonia com as mensagens transmitidas por padres e pastores aos familiares dos dependentes.
Selecionei algumas afirmações constantes de textos publicados na Gazeta de Muriaé. Pensei em fazer alguns comentários e questionamentos. Desisti; os temas são complexos. Eu me julgo incompetente para tal mister, e jamais me perdoaria se fizesse algum juízo distorcido das mensagens.
O Padre Paulo Roberto escreveu (os sublinhados foram feitos por mim):

a)   Por isso, não há nada mais errado do que dizer que temos de carregar a cruz que Deus nos dá. É justamente o contrário, a cruz nós a buscamos como conseqüência de decisões mal tomadas, do peso das estruturas injustas ou da ação de outros contra nós.

b)   Hoje sabemos que Deus não castiga, não é vingativo e nem ciumento, pois Jesus revelou de forma mais clara a face do Pai. O Antigo Testamento na sua imperfeição é aperfeiçoado por Cristo.

c)   A morte de Jesus é conseqüência de suas atitudes, decisões e postura frente uma sociedade que usava a religião e o nome de Deus para encobrir toda forma de discriminação, exclusão, injustiça e dominação. [...] A morte de Jesus não é o desejo do Pai. Ninguém que ama desejará a morte do amado.

É quase certo que surgirão dúvidas. Se for o caso, sugiro que não percam a oportunidade de ler os textos originais, onde as passagens se encontram devidamente contextualizadas. Resta-me, portanto, suplicar a todos que se esforcem para compreender as mensagens do Padre Paulo Roberto, palavra por palavra e sentença por sentença.
Passar a acreditar que Deus “não castiga as pessoas” e “não coloca cruz nas costas de ninguém”, assim como entender as inúmeras implicações decorrentes de tais crenças, pode mudar as pessoas e, conseqüentemente, mudar o mundo – em que pese Jesus ter dito que, para não nos convertermos, fechamos os olhos para não ver e nos tornamos duros de ouvido (Cf. Mateus 13,15).