Em
termos macroeconômicos, o Brasil ainda não se encontra no fundo do poço,
portanto, não era o momento de acontecer a “alternância de poder”.
Para
combater a inflação, restabelecer o crescimento econômico e manter ou recuperar
a credibilidade do país junto a empresários e investidores estrangeiros, é
essencial que reformas estruturais sejam adotadas urgentemente, tais como: administrativa,
política, trabalhista, tributária e da previdência social.
São
medidas de caráter geral que, certamente, não agradam a gregos e troianos. Não posso
afirmar com certeza, mas talvez algo semelhante tenha acontecido com os
professores de Minas Gerais.
Se
eleito, Aécio (Eduardo Campos ou Marina) não conseguiria implementar totalmente
as reformas necessárias em apenas quatro anos (2015-2018). Seria imprescindível
que as reformas fossem sedimentadas nos governos subsequentes, à semelhança do
que FHC fez com o Plano Real implementado por Itamar Franco.
O Aécio
dificilmente teria o apoio irrestrito do PT, e, considerando que se trata de
remédios amargos, ele não se reelegeria, assim como também não elegeria o
candidato por ele apoiado (partindo-se do pressuposto de que o Brasil vai
acabar com a reeleição). O mais provável, portanto, é que a população – que não entende nada de macroeconomia e nem
quer entender! – retornaria o PT ao poder (novamente como o “Salvador da
Pátria”!) para o período de 2019-2022.
Por
mais de uma década, o governo do PT teve a justa preocupação com a distribuição
de renda, mas não se preocupou com a implementação das medidas estruturais
“antipáticas” que dão suporte à distribuição de renda. Com o crescimento do PIB
tendendo a zero e uma inflação crescente, não vai ser fácil para “as empregadas continuarem usando o mesmo perfume ou viajar no mesmo avião da madame”, como ilustrou o
ex-presidente Lula!
Provavelmente,
quando retornasse ao poder (2019-2022), o PT manteria a mesma filosofia de
governo adotada insistentemente ao longo dos últimos doze anos (principalmente distribuir
renda). Em termos de reformas estruturais, o Brasil não só não avançaria quanto
se apresentaria com desafios ainda maiores. Só Deus sabe se a inflação não
retornaria aos patamares de antes do Plano Real (julho de 1994)!
A
Presidente Dilma tem melhores condições para fazer as reformas, pois já está, há
doze anos, num governo estruturado pelo PT. Além disso, presume-se que vai
contar com o apoio do PSDB que, desde os tempos de FHC, sabe da importância de
tais medidas para o desenvolvimento sustentável do Brasil. ("you may say i'm a dreamer".)
Vamos
torcer para que a Presidente Dilma comece a implementar urgentemente as
reformas necessárias. Entendo que a primeira reforma deve ser reduzir a
quantidade de ministérios – hoje são 39 (trinta e nove), isso representa uma
estrutura impossível de ser administrada de forma eficaz, conforme pode reconhecer qualquer executivo ou estudante de Administração. Trata-se de uma reforma que pode ser iniciada logo agora, pois depende apenas,
basicamente, da Presidente Dilma, e se trata de arrumar a casa
para começar a trabalhar!
Infelizmente,
se entendi bem, a Presidente Dilma disse ontem no seu discurso que vai iniciar
o processo pela reforma política. Nós sabemos como são os políticos
brasileiros! Desse modo, creio que vamos passar mais quatro anos sem reformas –
especialmente à vista das experiências colhidas nos doze anos que já se
passaram! Mas talvez esse "purgatório" seja necessário para que a maioria dos
brasileiros entenda que “nem só de distribuição de renda vive o governo”!
Faz
sentido ou “as uvas estavam verdes”?
Foto: democraciapolitica.blogspot.com
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