No que se refere à ética e à moral, o sistema político e a
administração pública brasileiros estão falidos. Portanto, não há como escolher
um candidato com base no quesito ética e moral, por mais que os candidatos se
agridam, e as redes sociais mostrem enxurradas de escândalos.
Usando a metáfora do ex-ministro Delfim Neto, repartir bolo é
fácil; foi isso o que o Lula e a Dilma fizeram! Mas a situação do Brasil mudou com
relação aos ingredientes essenciais do bolo: crescimento econômico (PIB)
tendendo a zero; inflação em alta; resultado primário decrescente; balança
comercial deficitária, dívida pública aumentando e credibilidade fragilizada junto aos
investidores internacionais.
O Brasil se encontra numa situação em que não se trata mais
de somente repartir o bolo. A cozinha está exigindo a adoção urgente de novas
medidas. Infelizmente, os confeiteiros atuais, selecionados para seguir
receitas e repartir o bolo, não estão tendo coragem e competência para mexer
das “azedas” variáveis que influem mais diretamente nos ingredientes do bolo
(reformas administrativa, política, trabalhista, tributária e da previdência
social).
É necessário, portanto, que a população convoque novos confeiteiros!
Um amigo gosta de me contestar com a seguinte observação: “Anacleto, mas vamos
somente trocar os ladrões”!
Lamentavelmente, meu amigo está certo, mas a única solução é
a alternância de poder, considerando o estágio de desenvolvimento em que nos
encontramos. Ramatis, lá do Plano Astral, é taxativo: “(...) seria incoerência
reclamar um governo perfeito, sadio e honesto, de um povo que ainda se compõe
de homens corruptos, ambiciosos, viciados, inescrupulosos, avarentos,
exploradores, aventureiros, traficantes, gozadores, como ainda hoje acontece em
certos países modernos e cientifizados!”.
Outro fator: a experiência tem demonstrado que, na oposição,
o PT é melhor do que o PSDB. Desse modo, em tese, as atividades do Aécio
deverão ser mais bem fiscalizadas. Hoje, o PT governa livre, pois o PSDB (os
demais partidos e a população!) não sabem fazer oposição, apesar de a
Presidente Dilma – justiça seja feita! -- ter-nos desafiado, quando, em julho
de 2011, assinou o decreto convocando a “1ª Conferência Nacional sobre
Transparência e Controle Social – CONSOCIAL”! A propósito, o "revoltado" leitor participou da
conferência realizada em sua cidade?
Nisso tudo, o que mais me preocupa é a decadência ética e
moral. Em maio de 2012, eu e a Associação dos Amigos de Muriaé – AAMUR fomos
condenados a pagar uma indenização por danos morais. Atribuo o processo a essa
praga que já se generalizou e está atingindo duramente os brasileiros – como,
no passado, a inflação nos atingia!
A praga (a falta de ética e moral nos negócios públicos) está nos atingindo
duramente e vai atingir duramente as gerações futuras, porque, hoje, os pais
estão, talvez inconscientemente, colocando uma “batata quente” nas mãos dos
filhos que é conciliar dois objetivos mutuamente exclusivos, ou seja, sobreviver
com ética e moral numa podridão que os próprios pais não estão enfrentando, por
omissão, comodidade ou falta de coragem!