25/10/2014

A IMPORTÂNCIA DA ALTERNÂNCIA DE PODER

No que se refere à ética e à moral, o sistema político e a administração pública brasileiros estão falidos. Portanto, não há como escolher um candidato com base no quesito ética e moral, por mais que os candidatos se agridam, e as redes sociais mostrem enxurradas de escândalos.

Usando a metáfora do ex-ministro Delfim Neto, repartir bolo é fácil; foi isso o que o Lula e a Dilma fizeram! Mas a situação do Brasil mudou com relação aos ingredientes essenciais do bolo: crescimento econômico (PIB) tendendo a zero; inflação em alta; resultado primário decrescente; balança comercial deficitária, dívida pública aumentando e credibilidade fragilizada junto aos investidores internacionais.

O Brasil se encontra numa situação em que não se trata mais de somente repartir o bolo. A cozinha está exigindo a adoção urgente de novas medidas. Infelizmente, os confeiteiros atuais, selecionados para seguir receitas e repartir o bolo, não estão tendo coragem e competência para mexer das “azedas” variáveis que influem mais diretamente nos ingredientes do bolo (reformas administrativa, política, trabalhista, tributária e da previdência social).

É necessário, portanto, que a população convoque novos confeiteiros! Um amigo gosta de me contestar com a seguinte observação: “Anacleto, mas vamos somente trocar os ladrões”!

Lamentavelmente, meu amigo está certo, mas a única solução é a alternância de poder, considerando o estágio de desenvolvimento em que nos encontramos. Ramatis, lá do Plano Astral, é taxativo: “(...) seria incoerência reclamar um governo perfeito, sadio e honesto, de um povo que ainda se compõe de homens corruptos, ambiciosos, viciados, inescrupulosos, avarentos, exploradores, aventureiros, traficantes, gozadores, como ainda hoje acontece em certos países modernos e cientifizados!”.

Outro fator: a experiência tem demonstrado que, na oposição, o PT é melhor do que o PSDB. Desse modo, em tese, as atividades do Aécio deverão ser mais bem fiscalizadas. Hoje, o PT governa livre, pois o PSDB (os demais partidos e a população!) não sabem fazer oposição, apesar de a Presidente Dilma – justiça seja feita! -- ter-nos desafiado, quando, em julho de 2011, assinou o decreto convocando a “1ª Conferência Nacional sobre Transparência e Controle Social – CONSOCIAL”! A propósito, o "revoltado" leitor participou da conferência realizada em sua cidade?

Nisso tudo, o que mais me preocupa é a decadência ética e moral. Em maio de 2012, eu e a Associação dos Amigos de Muriaé – AAMUR fomos condenados a pagar uma indenização por danos morais. Atribuo o processo a essa praga que já se generalizou e está atingindo duramente os brasileiros – como, no passado, a inflação nos atingia!

A praga (a falta de ética e moral nos negócios públicos) está nos atingindo duramente e vai atingir duramente as gerações futuras, porque, hoje, os pais estão, talvez inconscientemente, colocando uma “batata quente” nas mãos dos filhos que é conciliar dois objetivos mutuamente exclusivos, ou seja, sobreviver com ética e moral numa podridão que os próprios pais não estão enfrentando, por omissão, comodidade ou falta de coragem!