06/11/2022

DÚVIDA POLÍTICA

Se tudo estiver bem com o Brasil, você acha que tudo estará bem com a sua cidade?

Minha resposta é um sonoro NÃO, porque os municípios são administrados de forma independente e, infelizmente, nenhum dos 5.570 municípios é administrado de forma legal e tecnicamente correta!

POR QUÊ?

Simplesmente porque as cidades devem ser administradas de forma democrática por meio da participação da população e de associações representativas dos vários segmentos da comunidade. Lamentavelmente, isso não ocorre, ou seja, a população não participa do processo de gestão pública. Não participa, por exemplo, da elaboração, execução e fiscalização do Plano Diretor (planejamento estratégico da cidade por 10 anos), o Plano Plurianual – PPA (4 anos), a Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO (lei anual que traça as diretrizes para a elaboração do orçamento anual e define as metas e prioridades de obras e serviços) e a Lei Orçamentária Anual – LOA (lei anual que trata das receitas e despesas).

Os cidadãos pagam impostos (um terço dos seus rendimentos!), votam nas eleições (assinam um cheque em branco!) e, depois, como disse o General Mourão, vão  reclamar no botequim e nas redes sociais.

Como a população não participa do processo de gestão pública, as cidades, continuam a ser administradas como nos tempos de nossos avós, de forma centralizada, autoritária, burocrática e de acordo com as lideranças que se encontram no poder as quais mudam a cada eleição. Sem falar de corrupção e obras superfaturadas!

Em resumo, o todo (que é o Brasil) pode estar bem; mas as partes (que são os municípios) podem não estar bem, isto é, não estão atendendo ao princípio constitucional de “ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes” (Art. 182 da CF/88). 

As cidades somente passarão a atender aos anseios e às necessidades da população – principalmente das classes marginalizadas – quando forem administradas conforme determinam as leis, especialmente o Estatuto da Cidade, a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei de Acesso à Informação. Sem ampla participação da população – nada mudará e tudo vai continuar como dantes no quartel de Abrantes!