Hoje
estive pensando numa maneira de homenagear meu pai.
Não
foi difícil encontrar a melhor forma; bastou-me recordar dos ensinamentos que
ele me transmitia por meio de ditados.
É,
velho Frontino, hoje, a gente iria filosofar muito sobre “cavaco não avoa longe
do pau” e “sombração sabe pra quem aparece”, por exemplo!
Mas,
como o "senhor" já dizia, “o mundo está às avessas”, e hoje existem muitos pais
que estão entendendo que “cavaco avoa longe do pau”, e muita assombração não
está sabendo mais para quem aparece (talvez por culpa dos próprios assombrados!).
O
“senhor” me ensinou a ser honesto – até demais, mas eu o perdoo, porque ninguém
poderia supor que nossa geração iria mandar a ética e a moral para os “quintos
dos infernos” (expressão muito sua).
Tenho
outra ressalva. O “senhor” dizia que seguia a religião que o seu pai tinha lhe
ensinado, porque se algo desse errado, o “senhor” não teria culpa. Nunca lhe
disse – também naquela época eu ainda não “pensava” nas coisas que realmente
têm valor na vida -, mas acho que o “senhor” estava errado.
Fui
criado na Igreja Católica, mas hoje não tenho religião. Tento, contudo, praticar
aquela religiosidade que o “senhor” sempre nos transmitiu “ao vivo e em cores”.
Às
vezes, me passa pela cabeça filosofar sobre os seus ditados. Talvez algum dia
eu o faça. Até lá, aqui estão alguns que relembrei com a ajuda do “Dr. Google” (*):
“Cuidado com a volta” (para nos fazer refletir sobre as consequências de nossos atos – pensei muito nisso, quando eu e a AAMUR fomos processados); “Lamparina na mão de cego não alumia” (está acontecendo com as leis atualmente); “Aí é que a porca torce o rabo” (quando o médico lhe diz que vai ter que operá-lo); “Águas passadas não movem moinho” (é o terrível SE que persegue muitas pessoas); “Amarrar o burro de acordo com a vontade do dono” (nisso o "senhor" foi realmente muito bom, senão a porrada comia); “Comer o pão que o diabo amassou”; “Colocar o chapéu onde a mão alcança” (como tem gente colocando o cartão de crédito onde não alcança); “Fazer cortesia com o chapéu dos outros” (o "senhor" esqueceu de me alertar sobre os políticos); “Pimenta nos olhos dos outros é refresco”; “Chorar de barriga cheia” (há muita chorando, porque apesar de estar com a barriga cheia de bens materiais está vazio por dentro do que se refere às coisas de Deus); “Cada um sabe onde o calo lhe aperta” (mas acha também que a grama do vizinho está sempre mais verde); “Cobra que não anda não engole sapo” (acho que o “senhor” me disse isso, quando fui trabalhar no BB na Bahia); “Cavalo dado não se olha os dentes”; “De hora em hora Deus melhora”; “De noite todos os gatos são pardos” (quando criticávamos suas roupas); “De grão em grão a galinha enche o papo” (o "senhor" falava se referindo a dinheiro - mas o pior é encher o papo (a mente) de lixo ao longo da vida, porque gastar é fácil, mas esvaziar a mente é a coisa mais difícil deste mundo); “Deus tira os dentes, mas abre a goela” (será que isso aconteceu comigo, quando me separei (tirou-me os dentes), mas abriu minha goela (mente) para construir relacionamentos mais felizes?); e muitos outros.
Mais duas coisas. Primeira, hoje o “senhor” seria processado, mas, aqui entre nós, acho que o “senhor” me bateu pouco! Segundo, mais recentemente, por mais de uma vez, senti catinga de cigarro quando, na solidão da madrugada, estava escrevendo algo. Aí pensava que o “senhor” podia estar ao meu lado, fumando seu cigarro de palha e dizendo: “Quem fala muito dá bom dia a cavalo”!
Foi muito bom ter sido seu filho, mas, aqui entre nós, o “senhor” contou com a ajuda de uma supermulher que foi minha supermãe! Mas vou logo lhe avisando: "vamos deixar esse negócio de carma de lado, pois eu não gostaria de vir como seu pai numa próxima encarnação". (kkkkk... existe facebook aí em cima?)
Continuamos juntos, pois, como disse Jesus, “o Pai e eu somos um” (João 10,30).
(*) DITADOS
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