07/11/2014

DEUS CASTIGA?

(Postado no Facebook)

O mundo mudaria radicalmente, se as pessoas aceitassem que Deus não premia e nem castiga, assim como não coloca cruz nas costas de ninguém!

Mas o ser humano é muito egoísta. E, principalmente, orgulhoso. Para assumir que Deus não castiga e nem coloca cruz nas costas de ninguém, ele teria de “digerir” algumas ideias.

Na primeira, deveria entender, por exemplo, que a “cruz” e o “castigo” são consequências de seus pensamentos, palavras e ações (ou inações). A ressaca resulta do excesso de bebida; não passar no ENEM é consequência de não ter estudado! Ou seja, não tem nada a ver com Deus!

Na segunda, teria de administrar a tal da “dissonância cognitiva”. Ele ficaria muito mal consigo mesmo (dissonância cognitiva), se, após alguns anos, descobrisse que tinha escolhido mal a profissão, o cônjuge ou seu candidato político. Para evitar isso, busca anestesiar o consciente (os “dez por cento de sua cabeça animal”!) com bebidas, drogas e antidepressivos. Outros rezam, na crença de que, se o que está acontecendo foi vontade de Deus, é Ele quem deve descascar o abacaxi!

Na terceira – à vista de sua estrutura mental mundana medíocre -- teria medo de questionar. Se Deus não premia nem castiga, “vou rezar para quê”, “Deus serve para quê”? Como se observa, a situação se complicaria. Haveria necessidade de revisar o conceito de Deus ou mesmo de questionar a existência de Deus!

Certamente, o leitor deve entender que estou reduzindo drasticamente em poucas palavras, talvez errôneas, temas de enorme complexidade. Talvez seja melhor continuar, comodamente, apenas com os conhecimentos adquiridos na infância, ou seja, de que existe um Deus lá no céu, que premia e castiga os meninos desobedientes. E rezar para que nada de muito grave aconteça, pois, se acontecer uma desgraça, a sua “dissonância cognitiva” seria insuportável, e somente os conhecimentos do catecismo e uma fé cega não lhe permitiriam compreender por que um Deus bom e justo deixa acontecer tantas desgraças no mundo!