(Postado no Facebook)
O mundo
mudaria radicalmente, se as pessoas aceitassem que Deus não premia e nem
castiga, assim como não coloca cruz nas costas de ninguém!
Mas o
ser humano é muito egoísta. E, principalmente, orgulhoso. Para assumir que Deus
não castiga e nem coloca cruz nas costas de ninguém, ele teria de “digerir” algumas
ideias.
Na
primeira, deveria entender, por exemplo, que a “cruz” e o “castigo” são consequências
de seus pensamentos, palavras e ações (ou inações). A ressaca resulta do
excesso de bebida; não passar no ENEM é consequência de não ter estudado! Ou
seja, não tem nada a ver com Deus!
Na
segunda, teria de administrar a tal da “dissonância cognitiva”. Ele ficaria
muito mal consigo mesmo (dissonância cognitiva), se, após alguns anos,
descobrisse que tinha escolhido mal a profissão, o cônjuge ou seu candidato
político. Para evitar isso, busca anestesiar o consciente (os “dez por cento de
sua cabeça animal”!) com bebidas, drogas e antidepressivos. Outros rezam, na
crença de que, se o que está acontecendo foi vontade de Deus, é Ele quem deve
descascar o abacaxi!
Na
terceira – à vista de sua estrutura mental mundana medíocre -- teria medo de
questionar. Se Deus não premia nem castiga, “vou rezar para quê”, “Deus serve
para quê”? Como se observa, a situação se complicaria. Haveria necessidade de revisar
o conceito de Deus ou mesmo de questionar a existência de Deus!
Certamente,
o leitor deve entender que estou reduzindo drasticamente em poucas palavras,
talvez errôneas, temas de enorme complexidade. Talvez seja melhor continuar,
comodamente, apenas com os conhecimentos adquiridos na infância, ou seja, de
que existe um Deus lá no céu, que premia e castiga os meninos desobedientes. E
rezar para que nada de muito grave aconteça, pois, se acontecer uma desgraça, a
sua “dissonância cognitiva” seria insuportável, e somente os
conhecimentos do catecismo e uma fé cega não lhe permitiriam compreender por que
um Deus bom e justo deixa acontecer tantas desgraças no mundo!