“Já
haviam sido tomadas todas as deliberações possíveis para sacrificar o perigoso
rabi da Galileia, embora tudo isso se processasse dentro dos ditames retos e
dignos da Lei. Caifás substituíra todos os juízes que haviam demonstrado
a mais sutil simpatia por Jesus, nomeando dez suplentes jovens, de sua inteira
confiança, aos quais ele vinha paraninfando a carreira jurídica.
(...)
(...)
Jamais
alguém foi mais ardiloso e pródigo de talento na empreitada destruidora de uma
vida, como o fizeram Caifás, Hanan e a sua parentela, temerosa de perder o
comando da negociata religiosa. Eles semearam espiões no seio do próprio
movimento cristão, incentivando a "marcha" a Jerusalém, sob as
aclamações sediciosas que foram o arremate para incriminar o ingênuo rabi da
Galiléia; distribuíram bolsas de moedas aos seus agentes mercenários,
transformando o incidente do Templo numa grave sublevação, que, posteriormente,
apresentou prejuízos vultosos aos cofres sagrados. Abriram as arcas do
tesouro do Templo para subornar e obter falsos testemunhos e delações
comprometedoras; compraram servos das famílias dos juízes do Sinédrio,
fazendo-os distribuir notícias tendenciosas contra o rabi da Galileia, a fim de
influírem na decisão dos mesmos no ato de julgar. Em seguida, auscultaram
a tendência ou a opinião pessoal de cada juiz ancião; e só depois de plenamente
seguros do seu êxito, é que armaram o espetáculo pomposo de julgar Jesus “pro
forma”, satisfazendo as aparências dignas e respeitáveis da lei.” (Grifos
nossos)
RAMATIS.
O sublime peregrino. Obra mediúnica
ditada pelo espírito Ramatis ao médium Hercílio Maes. 6ª ed. Limeira, SP:
Editora do Conhecimento, 1964, p. 309. Disponível em: