“Não estou pensando. Estou sentindo. O barco está sem um comandante confiável. Estamos em meio a uma das crises mais sérias que já vivi até hoje, pq as instituições, como o Congresso, o Judiciário, etc, tb não nos dão tranquilidade. São todos farinha do mesmo saco.” (Ana Goulart no FaceBook)
Penso que a solução
está na construção de instituições fortes, legítimas e representativas:
Associações de Moradores de Bairro, Órgãos de Classe (OAB, CREA, etc.),
Entidades Empresariais (CDL, ACIM, etc.), Sindicatos, Rotary, Lions, Lojas
Maçônicas, Movimentos Religiosos, Conselhos Municipais, Partidos Políticos,
etc. Infelizmente, regra geral, todas essas instituições, de uma forma ou de
outra, são cooptadas, direta ou indiretamente, pelos Poderes Públicos.
Mas para construir
instituições fortes, legítimas e representativas é imprescindível que os
cidadãos participem delas. Lamentavelmente, nós não fomos educados para
participar e, muito menos, para nos preocuparmos com o bem coletivo. Nossa
educação foi (e continua sendo) uma educação hipócrita: nas escolas, ensinamos
a competir e vencer; nas igrejas, a “amar o próximo como a si mesmo”. Objetivos
opostos, porquanto é impossível competir e amar - e nós estamos exigindo isso
de nossos filhos!
Quantos cidadãos
compareceram à última Audiência Pública de 27.02.15 em que a Prefeitura
demonstrou e avaliou as metas fiscais (receitas e despesas) do último
quadrimestre de 2014? Somente, apenas, 3 (três), além de dois vereadores e os
funcionários responsáveis pela audiência.
A situação é
gravíssima, pois, o Estatuto da Cidade estabelece que as cidades devem ser
administradas com AMPLA participação da população e de associações
representativas dos vários segmentos da comunidade. Apesar de a lei vigorar
desde 2011, a maioria dos cidadãos desconhece o Estatuto e, portanto, acham que
as cidades devem continuar a ser administradas como nos tempos de nossos avós.
Outro erro é
ficarmos na expectativa de um “Salvador da Pátria”. Sem nossa participação,
nada mudará mesmo que elejamos Marx, Sócrates, Buda ou Cristo para presidente,
governador ou prefeito!
O Papa Francisco e a
Campanha da Fraternidade 2015 estão convidando os católicos para participar de
política e de Conselhos Municipais. Pelo que estou vendo, estão pregando no
deserto, apesar de Muriaé ter mais de 60 mil católicos!
Não sou especialista
no assunto, mas, salvo engano, as ditaduras se originam quando as coisas ficam
tão ruins que as pessoas passam a suportar tudo, até mesmo perder o seu bem
mais valioso: a liberdade!
Ah, ia me
esquecendo: esse estado de coisas -- que a Ana Goulart está sentindo -- é uma
realidade palpável, razão pela qual, "nunca antes neste país", se
vendeu tanto antidepressivo!