11/03/2015

BARCO SEM COMANDO

“Não estou pensando. Estou sentindo. O barco está sem um comandante confiável. Estamos em meio a uma das crises mais sérias que já vivi até hoje, pq as instituições, como o Congresso, o Judiciário, etc, tb não nos dão tranquilidade. São todos farinha do mesmo saco.” (Ana Goulart no FaceBook)


Penso que a solução está na construção de instituições fortes, legítimas e representativas: Associações de Moradores de Bairro, Órgãos de Classe (OAB, CREA, etc.), Entidades Empresariais (CDL, ACIM, etc.), Sindicatos, Rotary, Lions, Lojas Maçônicas, Movimentos Religiosos, Conselhos Municipais, Partidos Políticos, etc. Infelizmente, regra geral, todas essas instituições, de uma forma ou de outra, são cooptadas, direta ou indiretamente, pelos Poderes Públicos.

Mas para construir instituições fortes, legítimas e representativas é imprescindível que os cidadãos participem delas. Lamentavelmente, nós não fomos educados para participar e, muito menos, para nos preocuparmos com o bem coletivo. Nossa educação foi (e continua sendo) uma educação hipócrita: nas escolas, ensinamos a competir e vencer; nas igrejas, a “amar o próximo como a si mesmo”. Objetivos opostos, porquanto é impossível competir e amar - e nós estamos exigindo isso de nossos filhos!

Quantos cidadãos compareceram à última Audiência Pública de 27.02.15 em que a Prefeitura demonstrou e avaliou as metas fiscais (receitas e despesas) do último quadrimestre de 2014? Somente, apenas, 3 (três), além de dois vereadores e os funcionários responsáveis pela audiência.

A situação é gravíssima, pois, o Estatuto da Cidade estabelece que as cidades devem ser administradas com AMPLA participação da população e de associações representativas dos vários segmentos da comunidade. Apesar de a lei vigorar desde 2011, a maioria dos cidadãos desconhece o Estatuto e, portanto, acham que as cidades devem continuar a ser administradas como nos tempos de nossos avós.

Outro erro é ficarmos na expectativa de um “Salvador da Pátria”. Sem nossa participação, nada mudará mesmo que elejamos Marx, Sócrates, Buda ou Cristo para presidente, governador ou prefeito!

O Papa Francisco e a Campanha da Fraternidade 2015 estão convidando os católicos para participar de política e de Conselhos Municipais. Pelo que estou vendo, estão pregando no deserto, apesar de Muriaé ter mais de 60 mil católicos!

Não sou especialista no assunto, mas, salvo engano, as ditaduras se originam quando as coisas ficam tão ruins que as pessoas passam a suportar tudo, até mesmo perder o seu bem mais valioso: a liberdade!


Ah, ia me esquecendo: esse estado de coisas -- que a Ana Goulart está sentindo -- é uma realidade palpável, razão pela qual, "nunca antes neste país", se vendeu tanto antidepressivo!