Na
França, 12 pessoas foram massacradas em segundos; em Muriaé, 34 foram
assassinadas ao longo do ano passado. Qual a diferença? No primeiro caso, temos
uma tragédia, e, no segundo, uma estatística? Simples assim?
A
tragédia francesa comoveu o mundo e mobilizou forças policiais em diferentes
continentes. A tragédia muriaeense comoveu e mobilizou quem? Ou não é uma
tragédia, porque ocorreu em doses homeopáticas e se tratava basicamente de
pessoas pobres e desconhecidas?
É
madrugada. Estou esperando meu filho chegar. Onde ele estará? Ele e seus amigos
estão em segurança? Neste momento, quantos pais e quantas mães ainda não
dormiram preocupados com os seus filhos?
A
partir das 8 horas, acesso os blogs locais para confirmar as mesmas desgraças: “Jovem
baleado”; “Polícia apreende drogas e armas”; “Acidente mata duas pessoas”!
Existe
solução? Para começo de conversa, uma coisa é certa: estamos ficando
anestesiados, e, assim, já não é qualquer desgraça de pequeno porte que está
nos sensibilizando! Além disso, se algo começa a nos incomodar, nada como uma
cervejinha para relaxar ou um antidepressivo para “induzir” o sono. E entregar
para Deus. Mas tomar uma providência ou, principalmente, mudar a si mesmo – NUNCA!
Vejo
apenas duas saídas. Ambas de dificílima implementação. Uma somente é possível
se as pessoas se unirem. Mas quem está disposto a participar de associações? A
outra depende de um milagre, ou seja, de as pessoas mudarem o conceito que têm
de Deus. Será que a primeira depende da segunda?
Para
formalizar um novo conceito de Deus -- não um Deus antropomórfico que premia e
castiga, mas um Deus conceituado com lógica e razão, de acordo com a estrutura
mental do mundo moderno – é bom ter em mente que:
A física moderna nos mostra que não podemos decompor o mundo em unidades ínfimas com existência independente. Quando penetramos na matéria, a natureza não nos mostra quaisquer elementos básicos isolados, mas apresenta-se como uma teia complicada de relações entre as várias partes de um todo unificado. Heisenberg assim se expressou: “O mundo apresenta-se, pois, como um complicado tecido de eventos, no qual conexões de diferentes espécies se alternam, se sobrepõem ou se combinam, e desse modo determinam a contextura do todo". (Fritjof Capra, PhD em Física.)
Analisando
o texto de Capra:
- “a natureza não nos mostra quaisquer elementos básicos isolados” – será por isso que Jesus disse que devemos “amar o próximo como a nós mesmos”?
- “relações entre as várias partes de um todo unificado todo unificado” e “determinam a contextura do todo” – neste caso, o “todo” pode ser Deus? E nós seríamos partes do todo?
Se
as pessoas tivessem esse conceito de Deus – fazemos parte de uma teia
complicada de relações de um todo unificado (Deus) e, portanto, estamos no
mesmo barco! – as coisas mudariam. Mudaria a pessoa; mudaria a família;
mudariam as cidades; mudariam os países; e mudaria o mundo!