11/01/2015

"CHARLIE HEBDO"

Na França, 12 pessoas foram massacradas em segundos; em Muriaé, 34 foram assassinadas ao longo do ano passado. Qual a diferença? No primeiro caso, temos uma tragédia, e, no segundo, uma estatística? Simples assim?

A tragédia francesa comoveu o mundo e mobilizou forças policiais em diferentes continentes. A tragédia muriaeense comoveu e mobilizou quem? Ou não é uma tragédia, porque ocorreu em doses homeopáticas e se tratava basicamente de pessoas pobres e desconhecidas?

É madrugada. Estou esperando meu filho chegar. Onde ele estará? Ele e seus amigos estão em segurança? Neste momento, quantos pais e quantas mães ainda não dormiram preocupados com os seus filhos?

A partir das 8 horas, acesso os blogs locais para confirmar as mesmas desgraças: “Jovem baleado”; “Polícia apreende drogas e armas”; “Acidente mata duas pessoas”!

Existe solução? Para começo de conversa, uma coisa é certa: estamos ficando anestesiados, e, assim, já não é qualquer desgraça de pequeno porte que está nos sensibilizando! Além disso, se algo começa a nos incomodar, nada como uma cervejinha para relaxar ou um antidepressivo para “induzir” o sono. E entregar para Deus. Mas tomar uma providência ou, principalmente, mudar a si mesmo – NUNCA!

Vejo apenas duas saídas. Ambas de dificílima implementação. Uma somente é possível se as pessoas se unirem. Mas quem está disposto a participar de associações? A outra depende de um milagre, ou seja, de as pessoas mudarem o conceito que têm de Deus. Será que a primeira depende da segunda?

Para formalizar um novo conceito de Deus -- não um Deus antropomórfico que premia e castiga, mas um Deus conceituado com lógica e razão, de acordo com a estrutura mental do mundo moderno – é bom ter em mente que:
A física moderna nos mostra que não podemos decompor o mundo em unidades ínfimas com existência independente. Quando penetramos na matéria, a natureza não nos mostra quaisquer elementos básicos isolados, mas apresenta-se como uma teia complicada de relações entre as várias partes de um todo unificado. Heisenberg assim se expressou: “O mundo apresenta-se, pois, como um complicado tecido de eventos, no qual conexões de diferentes espécies se alternam, se sobrepõem ou se combinam, e desse modo determinam a contextura do todo". (Fritjof Capra, PhD em Física.)
Analisando o texto de Capra:
  • “a natureza não nos mostra quaisquer elementos básicos isolados” – será por isso que Jesus disse que devemos “amar o próximo como a nós mesmos”? 
  • “relações entre as várias partes de um todo unificado todo unificado” e “determinam a contextura do todo” – neste caso, o “todo” pode ser Deus? E nós seríamos partes do todo?
Se as pessoas tivessem esse conceito de Deus – fazemos parte de uma teia complicada de relações de um todo unificado (Deus) e, portanto, estamos no mesmo barco! – as coisas mudariam. Mudaria a pessoa; mudaria a família; mudariam as cidades; mudariam os países; e mudaria o mundo!