07/12/2014

DE PAI PARA FILHO

Creio que minha filha postou o texto (imagem) abaixo em resposta à conversa que tivemos, quando ela me pediu para ir à boate.
Ela tem 18 anos. Disse-lhe que, em princípio, não gostaria que ela fosse, mas que iria conversar com sua mãe.
Como sempre acontece nesses casos, eu procurei lhe esclarecer as razões de minha decisão. Conversamos (ou monologuei?) sobre várias razões, mas, em resumo, concluí lhe falando de minha preocupação com a falta de segurança, e acrescentei que, se lhe acontecesse algo, eu não saberia o que fazer, porque, infelizmente, em termos de Estado Democrático de Direito, Muriaé (ou o Brasil?) é um ente falido!


Confio em Deus, mas não quero testar-lhe a bondade. Há alguns meses, balearam uma senhora na saída da boate, e meu filho se encontrava nas proximidades. Uma semana depois, meteram uma bala na cabeça de um jovem no Parque de Exposição, e minha filha se encontrava no portão de saída!

Também poderia dissertar muito sobre os pensamentos dos filósofos citados, mas, diferentemente do que disse meu “guru” Sócrates, minha filha não adora o luxo, não é mal educada e não despreza minha autoridade!

Com relação ao que estava escrito no vaso de argila, entendo que, se “esta juventude está estragada até ao fundo do coração”, fomos nós -- os pais, os professores, os padres, os pastores e os amigos -- que a estragamos. Talvez inconscientemente e sempre tentando lhes fazer o melhor!
Filha, algum dia, se Deus quiser, sua filha irá lhe pedir algo. Aí você irá entender que é muito difícil, muito doloroso negar alguma coisa a uma pessoa que a gente ama!
OBSERVAÇÃO
Este texto tem também o objetivo de salientar que, parafraseando o professor Liszt Vieira: “Se não priorizarmos nossas obrigações cívicas em relação a nossos direitos individuais, não deveremos nos surpreender se, algum dia, encontrarmos nossos próprios direitos individuais solapados".