CARTA AOS HEBREUS
CRISTO
É O ÚNICO SACERDOTE VERDADEIRO
Introdução
Os
destinatários são um grupo de leitores que se acham em grande perigo de
rejeitar a fé em Jesus como revelador e portador da salvação. Eles sentem
dificuldade em aceitar, tanto a forma humilhante e dolorosa da aparição
terrestre de Jesus (Hb 2), como os próprios sofrimentos que estão tendo que
suportar por serem cristãos (10,32ss; 12,3ss) e ainda a desilusão de não verem
realizada a salvação final (10,36s; 3,14; 6,12). Por outro lado, parece que a
religião do Antigo Testamento exerce forte influência nesse grupo. Pode-se
supor que sejam judeus convertidos da comunidade cristã de Roma.
O
escrito é de grande importância no quadro geral do Novo Testamento, pelo fato
de apresentar Jesus como aquele que supera a instituição cultual do Antigo
Testamento. Paulo havia mostrado a caducidade da Lei, anunciando que não é a
piedade legalista que salva. Agora, o autor de Hebreus mostra que a piedade
cultual ligada ao Templo e aos sacrifícios não assegura o perdão e a comunhão
com Deus.
O
único ato salvador a obter de uma vez por todas o perdão é o sacrifício de
Jesus, que derramou seu sangue e entregou sua vida por nós. Ora, Jesus não
realiza nada parecido com uma oferenda religiosa nos moldes cultuais judaicos:
em lugar de uma ação sagrada realizada no recinto do Templo e com rituais
precisos, ele morreu fora do Templo e da cidade santa, como criminoso eliminado
da sociedade (13,12).
Jesus é, portanto, o
único mediador entre Deus e os homens. Doravante, é ele o único santuário e
sacerdote, e o sacrifício por ele realizado é, daqui por diante, o único
agradável a Deus (9,11-14). As consequências são radicais:
-
Exceto Jesus, nada mais é absoluto:
nenhuma instituição ou estrutura, tanto civil como religiosa, tem caráter
absoluto e intocável. Sendo único
mediador, Jesus abre completamente a comunicação entre Deus e os homens, e dos
homens entre si.
- O povo está livre
para participar inteiramente da realidade de Jesus e, portanto, ter acesso à
intimidade com o próprio Deus.
-
Frente à pessoa e vida de Jesus, todas e quaisquer instituições, estruturas
religiosas ou civis têm caráter relativo e provisório, sendo passíveis de
revisão crítica, reformulação e renovação.
- O verdadeiro culto
a Deus se realiza através da própria vida. O modo de servir a Deus não são ritos
religiosos, mas obediência à sua vontade, que se manifestou radicalmente na
doação vivida por Jesus até à morte (10,1-10). O único valor do culto consiste
em expressar, concreta ou simbolicamente, o culto que os homens prestam a Deus
através da própria vida.
BÍBLIA SAGRADA. Edição Pastoral. Paulus.