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O escrito é de grande importância no quadro geral do Novo Testamento, pelo fato de apresentar Jesus como aquele que supera a instituição cultual do Antigo Testamento. Paulo havia mostrado a caducidade da Lei, anunciando que não é a piedade legalista que salva. Agora, o autor de Hebreus mostra que a piedade cultual ligada ao Templo e aos sacrifícios não assegura o perdão e a comunhão com Deus.
O único ato salvador a obter de uma vez por todas o perdão é o sacrifício de Jesus, que derramou seu sangue e entregou sua vida por nós. Ora, Jesus não realiza nada parecido com uma oferenda religiosa nos moldes cultuais judaicos: em lugar de uma ação sagrada realizada no recinto do Templo e com rituais precisos, ele morreu fora do Templo e da cidade santa, como criminoso eliminado da sociedade (13,12).
Jesus é, portanto, o único mediador entre Deus e os homens. Doravante, é ele o único santuário e sacerdote, e o sacrifício por ele realizado é, daqui por diante, o único agradável a Deus (9,11-14). As conseqüências são radicais:
- Exceto Jesus, nada mais é absoluto: nenhuma instituição ou estrutura, tanto civil como religiosa, tem caráter absoluto e intocável. Sendo único mediador, Jesus abre completamente a comunicação entre Deus e os homens, e dos homens entre si.
- O povo está livre para participar inteiramente da realidade de Jesus e, portanto, ter acesso à intimidade com o próprio Deus.
- Frente à pessoa e vida de Jesus, todas e quaisquer instituições, estruturas religiosas ou civis têm caráter relativo e provisório, sendo passíveis de revisão crítica, reformulação e renovação.
- O verdadeiro culto a Deus se realiza através da própria vida. O modo de servir a Deus não são ritos religiosos, mas obediência à sua vontade, que se manifestou radicalmente na doação vivida por Jesus até à morte (10,1-10). O único valor do culto consiste em expressar, concreta ou simbolicamente, o culto que os homens prestam a Deus através da própria vida.
NOTA
Esta introdução não se encontra em todas as Bíblias.
FONTE: Biblia Sagrada. Edição Pastoral. São Paulo: Paulus, 1990, 72ª impressão, dezembro de 2009.
