20/11/2010

DEMOCRACIA EM MURIAÉ

Como se encontra o pensamento do muriaeense no que se refere à democracia? Eis os resultados de uma pesquisa científica realizada em julho e agosto de 2006, com 200 muriaeenses, de 18 a 60 anos, em 38 bairros da cidade.



TABELA 30-  ENTREVISTADOS SEGUNDO FORMA DE GOVERNO.
 MURIAÉ, MINAS GERAIS. 2006
FORMA DE GOVERNO
ENTREVISTADOS
F
%
Ter um líder forte que não tenha que se preocupar nem com vereadores, deputados e senadores, nem com eleições.
22
11,0
Ter profissionais especialistas, não políticos, que tomam as decisões de acordo com o que consideram melhor para o município.
41
20,5
Ter o município governado pelas Forças Armadas.
12
6,0
Ter um sistema democrático (“governo do povo”).
74
37,0
Outras
4
2,0
Não sabe
47
23,5
Total
200
100,0
FONTE:              FARIA, José Anacleto de. Dissertação de Mestrado. UCAM - Campos dos Goytacazes ,RJ: 2006.
Interrogados sobre o melhor sistema de governo, apenas 37,0% responderam que é a democracia; 23,5% não souberam responder, e 20,5% afirmaram que o melhor é ter profissionais especialistas, não políticos, que tomam as decisões de acordo com o que consideram melhor para o município. Tais afirmações são preocupantes, pois indicam que a maioria da população muriaeense prefere ser governada a se autogovernar (Ver tabela acima).
Para 51,0% dos respondentes, existe, em Muriaé, uma divisão política entre “puaias” e “goteiras”, e metade dos entrevistados não se interessa ou tem pouco interesse por política. Os assuntos políticos praticamente não são discutidos pelos entrevistados. Os que nunca discutiram somados aos que discutiram algumas vezes representam 78,5% da amostra. Esses percentuais agravam a conclusão anterior, isto é, se a população não se interessa por política e não se discute política, ela permanecerá analfabeta no que se refere a verdades democráticas. Desse modo, o destino da cidade tenderá a permanecer nas mãos de lideranças políticas ou de grupos econômicos locais.
A Barra é mais democrática do que o Centro; 53,1% dos entrevistados daquele bairro disseram que a democracia é a melhor forma de governo, contra 24,3%, dos entrevistados do Centro. Os respondentes que possuem renda familiar superior a cinco salários-mínimos são mais democráticos (57,9%) do que os que têm renda familiar igual ou inferior a cinco salários-mínimos (35,4%). A democracia é a melhor forma de governo apenas para 36,8% dos católicos e 37,5% das demais religiões. Essas respostas são mais preocupantes que as anteriores, pois aqui estamos nos reportando ao plano espiritual. Partindo do pressuposto de que Jesus defendia a democracia – liberdade e igualdade – e 91,4% dos entrevistados são cristãos – católicos (68,3%), evangélicos (20,1%) e espíritas (3,0%) – inexiste coerência nas respostas. Como entender que 91,4% dos entrevistados se dizem cristãos, se nem 38,0% acreditam na democracia que é o sistema de governo que mais se aproxima dos ensinamentos de Jesus Cristo?
Se votar não fosse obrigatório, apenas 42,0% dos entrevistados votariam. Para decidir em quem votar, os pesquisados se valem, principalmente, das seguintes fontes de informação: rádio e televisão (31,4%), jornais e revistas (22,0%) e amigos e parentes (17,4%). Somente 4 entrevistados disseram que se valem das informações de sindicatos ou associações, e 13, de igrejas e cultos. A grande pergunta que surge aqui é a seguinte: “Como votar de forma consciente, se 70,5% dos entrevistados responderam que não sabem o que é Plano Diretor e se os candidatos nada falam de Plano Diretor na televisão, rádio, jornais e revistas?”.
Existem outras incoerências entre a vida prática e o que os entrevistados responderam. As pessoas não participam do processo de gestão municipal, mas a esmagadora maioria, isto é, 74,0% dos entrevistados discordaram da afirmação seguinte: “A ocasião para o cidadão participar da política é na eleição; depois cabe ao prefeito governar a cidade da maneira que achar melhor”. Lamentavelmente, falhei ao elaborar o questionário da pesquisa, pois deveria ter acrescentado a pergunta seguinte: “Se discorda da afirmação, como o senhor entende que a cidade deve ser administrada?”.
A tradição das lideranças políticas, dos feudos familiares, ainda é forte, pois 34,0% dos entrevistados concordaram que “certas pessoas estão mais capacitadas para governar em virtude de suas tradições e origens familiares”. Perguntados se “as pessoas devem poder votar mesmo que não tenham discernimento para tanto”, 43,0% concordaram, e 47,0% discordaram da afirmação. Somente 37,0% afirmaram que a democracia é a melhor forma de governo, mas 69,5% concordam que “a Câmara dos Deputados é muito importante para que as coisas andem bem no país”.
Dessa sopa de percentuais, somente uma conclusão é certa, e está nas palavras de Jesus Cristo: “Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que estão fazendo!”. Ou o que estão respondendo!